
Tudo começou em 1996 quando meus pais se casaram , meu pai Roberto tinha 26 anos de idade e minha mãe Divina tinha 38 , em 1997 minha mãe engravidou de uma menina que deveria se chamar maria mas no sexto mês de gravidez ocorreu um aborto espontanêo e ela perdeu a criança e os médicos todos diziam que ela devia desistir mas ela não desistiu e em 1999 engravidou de mim , só que eu nasci com labio leporino (sem o céu da boca , mas com a cirurgia concerta e fica normal) e com 2 voltas do cordão umbilical no pescoço e se minha mãe não tivesse adiantado o parto teria nascido morta , só descobriram que eu era uma criança com labio leporino na minha primeira refeição pois não conseguia mamar e teriam que me dar de gota em gota direto na boca 10 ml de leite a cada 3 horas pois era muito cansativo , com 3 dias de vida eu fiz minha primeira cirurgia para concertar isso, mas depois de 2 meses foi descoberto que tinha hérnia inguinal e tiveram de fazer outra cirurgia para retira-la , e ai cresci “normalmente” até que com 4 anos tive hérnia de novo e fiz outra cirurgia e melhorei .No primeiro dia do Pré 3 eu estava na minha casa com o meu vestido favorito e resolvi beber água com a xicara de porcelana da minha avó e quando fui colocar água tropecei na mesa da cozinha e ela caiu no chão e um dos cacos subiu e quando foi descer passou no meu pulso direito e fez um corte enorme , me lembro de entrar em desespero e sair gritando meu pai com os braços ensaguentados correndo , minha mãe ouviu os gritos do trabalho dela e saiu e me viu gritando no portão em desespero e conseguiu que o meu primo nos levasse ao médico , mas não aceitei ficar internada e fiz birra para que me levassem para a escola pois não queria perder a aula por nada , e assim foi até meus 9 anos quando comecei a ser chamada de magricela e ai comecei a comer mais e quando fiz 11 começaram a me chamar de gorda e estava muito magoada com as pessoas que faziam isso pois elas eram da minha própia familia , eu não tinha muitas amigas e não me sentia amada e quando completei 12 tinha um buraco dentro de mim enorme no qual nimguem foi capaz que tapar e duvido que alguem ao menos queira tapar , e mais ou menos em outubro no ano passado comecei a parar de comer ás vezes e comecei a me cortar , mas não queria que nimguem soubesse , até que notei que não deveria e nem podia tentar passar por aquilo sozinha e mesmo que tentasse sabia que não conseguiria e pedi ajuda e as pessoas falavam que estava louca e que só queria atenção então parei e me calei e comecei a me cortar nas pernas e comecei a evitar shorts e bikinis , até que notei que deveria parar e consegui parar por 3 meses até que em março desse ano tive uma recaída e tentei me matar , não tinha sangue frio o suficiente para cortar os pulsos até a morte então tomei um remédio que abaixa a taxa de açucar no sangue mas não teve efeito nenhum sobre mim mesmo com 12 horas de jejum , então parei por um tempo e tive certeza que havia parado mais ou menos no inicio de abril contei a minha mãe e vi a única pessoa no mundo que me ama e que jamais tive a intenção de magoar chorar na minha frente ao ver as cicatrizes em meus braços e desabei de novo pois nunca desejei ver uma cena dessa e jamais desejaria á nimguem mas não me cortei de novo pois eu sei que o motivo daquelas lagrimas da pessoa que me gerou, que chorou por meses até que eu viesse ao mundo , a única que me esperou com o maior animo possível eram essas cicatrizes que eu tenho nos meus pulsos e não pretendo me cortar de novo NUNCA mais.
Valéria Oliveira Lopes







